
“Não sei exatamente o porque eu comecei a desenhar, meus pais eram nerds, acho
que eu era preguiçoso de mais para os estudos sérios. Hoje vejo que ser artista é
bem mais complicado e trabalhoso do que estudar pra passar numa prova...” (Bira)
São com essas palavras que o Aponte Idéias entrevista o carioca João Gilberto,
também conhecido no mundo do Grafite como Bira. Um Artista Plástico que manda
muito bem. Confiram...


Quando e como começou o seu interesse pelo desenho?
Bira… Meu primeiro interesse na parte da infância foi só desenhar meus ídolos da TV, depois mais velho com um interesse mais sério, foi a vontade de trabalhar com arte.
De qualquer forma, comecei desenhando cavaleiros do zodíaco com um amigo de colégio chamado Glauco, tempo foi passando, meus desenhos continuaram até a chegada do Grafite no RJ, quando comecei a ver meu primo e uns caras, mais tarde conhecidos como Nação Crew, começarem a levar o desenho pra um lado mais sério.
Como foram as suas primeiras experiências com a ilustração?
Bira… Por incrível que pareça meu primeiro trampo de ilustração foi como professor de Grafite pela CUFA, eu já tinha uma bagagem de desenho e meus alunos tinha uma faixa etária de 8 e 15 anos, eu até ensinei bem pra eles, mas como sempre dizem, eu acabei aprendendo mais ainda...
Depois disso pintei painéis grandes, como os da linha amarela (LAMSA), trabalhei na restauração dos painéis do Profeta Gentileza e bla bla bla...
Quais são as suas maiores influências no desenho? Em relação a ilustradores, estilo de traço etc.
Bira… Como ilustração eu gosto de muitos tipos de traços distintos, na verdade eu não sei dizer em que tipo de desenho eu me encaixo ...
Admiro muito o trabalho de Milo Manara, Bruce Timm, El Mac, Phil Noto, Alfons Mucha, entre outros nomes não tão conhecidos que eu tenho no site de artes Deviantart.
E claro, não posso deixar de falar de todo o período da Renascença como minha parte preferida da História da arte.

Fale mais como foi dar aula de Grafite na CUFA?
Bira… Foram 7 meses de aulas em Vargem Pequena, dando aula para crianças de 8 a 15 anos. Foi um período de aprendizado pra mim porque eu acabara de começar no mundo do Grafite com meu amigo de longa data AFA.
Meu desenho não era dos melhores, ali, ensinando, desenhando sempre, eu fui aprendendo muito mais sobre desenho do que todo o tempo que eu passei em cursos.
No começo do curso era a sala mais lotada, que criança não quer desenhar nas paredes?
Mas com o tempo, eles vêem que nao é moleza e começam a sair. No final só tínhamos os alunos que queriam mesmo, com isso as aulas eram cada vez melhores, estávamos ali, mudando a vida de algumas crianças que antes não tinha muita perspectiva do que fazer da vida, essa é a verdadeira meta de um professor.
Conte um pouco como foi a sua história com a sua musa inspiradora. Como isso aconteceu e por que ela é retrata de uma forma agressiva e sofrida?
Bira… Ela foi meu primeiro amor, e como a maioria dessas histórias não acabou bem, em vez de eu simplesmente esquecer, como toda pessoa sã faz, me apeguei ao sentimento de falta e raiva que senti por ela, derramando essa bile amarga sobre tudo que eu faço.
A representação dela no meu traço se dá ao fato de termos ficados juntos enquanto eu aprendia a desenhar o rosto feminino, (e na época era o mais lindo de todos os rostos) que acabou ficando queimado nos meus traços.
Você acha que as pessoas estão mais interessadas pelo Grafite? Na sua opnião, como elas vêem esta expressão artística nos dias de hoje?
Bira… Ultimamente o interesse pelo grafite tem aumentado pelo lado estético da coisa, ter um Grafite no quarto é "chique", fazer Grafite esta na moda, então hoje acredito que pessoas o vêem de uma forma diferente de um tempo atrás.
Eu com 10 anos de história vejo isso. Quando você era chamado de “pixador” ou chamavam a polícia porque tu tava pintando, hoje são só elogios e convites pra pintar um portão, um muro etc.
Isso é bom pelo fato de podermos pintar mais tranquilos por ai, mas atrai uma galerinha que acha que grafite é moda e entra por motivos escrotos.
E você como artista, como vê o Grafite?
Bira… Grafite pra mim é uma forma de expressar o que eu penso e sinto, assim como qualquer tipo de desenho que eu faça, eu não me considero grafiteiro, eu desenho nas ruas.
O Grafite é um estilo de vida, de expressão contra a opressão, entre outras coisas, é algo sério! Mas claro, essa é só a minha visão.




Quais são as dificuldades que existem para se firmar no mundo da arte?
Bira… É algo bem complicado aqui no RJ, eu tenho um amigo que expõe em galerias (uns amigos, na verdade) e vejo como há uma certa politicagem, ou jogo de interesses. Claro, se você não tiver um bom trabalho e uma boa justificativa, você é só mais um desenhista, mas mesmo assim, bons artistas ficam de fora do meio cultural, das exposições, só porque não conhecem as pessoas certas.
Eu tenho vontade de um dia ter uma expo dos meus trampos, já tenho até um plano pra fingir minha morte para os meus quadros ficarem mais caros, rsrs…
Como foi a sua passagem pelo curso de Design Gráfico?
Bira… Foi bem legal, porque eu fiz um período de Marketing antes, e vi que não era o que eu queria, no Design Gráfico eu tive as matérias que eu queria ter, é o trabalho que eu quero fazer. Agora penso em fazer Desenho Industrial ou EBA. Sempre crescendo!
Qual o conselho você daria para a galera que está começando a desenhar agora?
Bira… Desenhar, desenhar e desenhar! E quando você perceber que não consegue avançar mais sozinho, não tenha vergonha em procurar um curso, existem barreiras que precisamos de ajuda para superar.




E assim vou terminando este ótimo bate-papo com o grande artísta plástico Bira. Guardem estas pinturas na caxola, pois certamente verão muitas delas pelas ruas.
Portfólio na integra aqui: zuinn.com.br/elbira
Bom, vou ficando por aqui. Gostou da entrevista? Então comente!
Como você vê a arte nos dias de hoje? Existe um reconhecimento por parte das pessoas?
Se quiser fazer perguntas para o Bira, ele estará pronto para responder… Conto com vocês. Abraço e até a próxima!!!